Uma das atrações da Recoleta é um palácio arrematado pelo ex-presidente Getúlio Vargas há 68 anos.
Délis Ortiz Buenos Aires, Argentina
O nome Recoleta vem dos franciscanos descalços, recolhidos no convento construído no século XVIII. No entanto, este bairro não tem nada de despojado. Ao contrário, é o retrato da aristocracia da época. Eles tentaram trazer Paris para a América do Sul e muita coisa veio mesmo: a arquitetura, com certeza.
O Palácio Duhau, de estilo neoclássico, transformou-se em hotel. A suntuosa mansão do século XIX é, hoje, o Jockey Club da cidade. O cemitério é uma das maiores coleções de arte funerária do mundo e nele estão ricos e famosos, como Evita Perón.
No Palácio Pereda, na rua Arroyo, 1130, está a embaixada do Brasil. A entrada foi feita para o desembarque de carruagens. O palácio é uma réplica do Musée Jacquemart-André, de Paris. Na escadaria, o corrimão é de bronze. O palácio original era revestido em mármore. Este usa uma técnica chamada estuco, arte que poucos dominavam, e imita o mármore. Os artistas foram importados da Itália.
O salão parece estar de cabeça para baixo. São os equilibristas do artista catalão José Maria Sert. Esse foi um toque pessoal do milionário Celedonio Pereda, que encomendou as telas, enviadas pelo artista que nunca pisou no palácio. A pequena sala de jantar é de tecido vermelho, madeira e cristais baccarat.
Todos os mimos do palácio foram colocados pelo médico fazendeiro que. em 1935. hospedou Getúlio Vargas. O ex-presidente brasileiro arrematou o patrimônio com tudo o que tinha dentro. Até quem não vê por dentro se orgulha de saber que esse palácio francês, na Argentina, é brasileiro.
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Fonte: Jornal Hoje - Globo
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