A Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual o Brasil é membro fundador, há muito demonstrava dificuldades em lidar com o crescente número de conflitos que eclodia entre seus membros. No período da Nova República, a crise mais séria envolveu a Nicarágua e El Salvador. No primeiro, com a instalação do regime sandinista comandado por Daniel Ortega e, no outro, um movimento de guerrilha que tentava derrubar o governo eleito. De um lado, os EUA apoiando o governo de El Salvador e contra a instalação do regime sandinista na Nicarágua. Em sentido inverso, o apoio de Cuba aos guerrilheiros e ao governo recém-instalado em Manágua. Em razão da inércia da OEA frente aos conflitos, os países-membros buscaram mecanismos paralelos para dar resposta mais ágil e produtiva à questão. A origem do Grupo de Contadora e, posteriormente, do Grupo de Apoio a Contadora – fundidos depois no Grupo do Rio (esse último concebido pelo governo Sarney) – está na raiz do enfraquecimento da OEA, que necessitava de uma reforma imediata e ampla em sua estrutura. E é o secretário-geral da organização, o embaixador brasileiro Baena Soares, quem vai liderar o movimento para reforma da entidade multilateral.
Em assembléia extraordinária realizada na cidade colombiana de Cartagena de Índias, as reformas foram aprovadas, com destaque para a incorporação de novos conceitos à OEA como os princípios de democracia representativa e pluralismo ideológico, além de concessão de voz ao secretário-geral, em todas as reuniões da organização. O Brasil, em seguida, engajou-se na campanha de reeleição de Baena ao cargo máximo da entidade. Apesar de ainda faltarem quase 15 meses para a data da eleição, o governo brasileiro indica a recondução de Baena para o cargo de secretário-geral. A antecipação se mostrou acertada, na medida em que os EUA sempre foram favoráveis a que o candidato fosse escolhido entre países de menor expressão. Nos últimos momentos, vendo-se derrotados, os EUA somaram-se aos demais países-membro da OEA, possibilitando assim votação unânime no embaixador Baena Soares.
O diplomata Octávio Côrtes aponta que “todo o esforço do governo da Nova República em reconduzir Baena vinha do temor de que o trabalho de fortalecimento da organização e o papel por ela desempenhado na questão centro-americana pudessem enfraquecer-se, sob a condução de eventual candidato sujeito a maior influência norte-americana”.
Fonte: http://www.senado.gov.br/senado/presidencia/especiais/box6.asp
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